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Técnica de Julgamento

Existe uma técnica consagrada em todos os países de Cinofilia avançada, que permite a um árbitro julgar uma Exposição com pouco desgaste físico e mental. É um assunto tão importante que deveria fazer parte dos cursos para formação de árbitros, o que, infelizmente, não acontece. Sabemos e precisamos concordar que a maioria das exposições é extremamente cansativa, por diversos fatores que nos são conhecidos, tais como falta de horários pré-estabelecidos, morosidade dos juízes no julgamento, seja por insegurança ou outro motivo, infra-estrutura precária do clube organizador, staff não preparado para exercer suas funções, etc.etc. Uma exposição julgada com técnica , com certeza já eliminaria um desses fatores, ajudando a tornar as exposições mais ágeis e mais dinâmicas. Partindo do princípio que, o árbitro deve conhecer os padrões das raças que estão habilitados a julgar, e que, tem gravado em sua memória o ideal de macho e fêmea de cada raça, tudo fica mais fácil. Como item primordial, um árbitro tem por obrigação chegar com antecedência ao local da exposição que irá julgar , para que possa se certificar que a pista determinada para ele esteja de acordo com suas necessidades para executar um bom julgamento : tamanho mínimo da pista para que cães de grande porte possam se movimentar sem se prejudicar , verificar obstáculos que porventura possam existir, tais como pilastras, luminosidade inadequada, mesas mal posicionadas e etc. Tendo tempo hábil para remodelar a pista caso isso se faça necessário. E, principalmente, para que possa reler algum padrão de raça que tenha dúvida, ou por pouca experiência ainda, ou por se tratar de uma raça rara no país. Exigir um auxiliar de pista competente e que saiba sua função, é direito do árbitro, pois o auxiliar está alí para dar suporte e agilizar o trabalho burocrático do árbitro em pista e não, atrapalhar ou dar palpites inconvenientes e inadequados. Quanto ao julgamento propriamente dito, uma das técnicas mais usadas é mandar que a classe a ser julgada entre em pista já trotando em círculo, dando uma volta na pista e parando em seguida. Volta esta que permitirá ao bom juíz já ter uma noção de quem será o 1º, 2º de classe . após o alinhamento dos cães em pista, é feito o exame individual destes. Primeiramente o árbitro se afasta alguns metros do exemplar para que possa ter uma visão do conjunto do cão, harmonia, etc. Feito isso, o árbitro deve se aproximar do exemplar para que possa fazer o que chamamos de " leitura Braile" , ou seja, o exame manual. Esta aproximação deve ser feita sempre pela frente do cão e com firmeza, para que este sinta confiança no árbitro. Analisando a expressão do cão, deve-se examinar a colocação dos olhos, sua côr, inserção de orelhas, crânio, focinho, etc. Depois deste primeiro contato, é feito o exame dos dentes. Então, as mãos do árbitro devem se encaminhar para o pescoço, seu comprimento e inserção nas escápulas, sentir nas pontas dos dedos o antepeito, angulação de ombros, profundidade de peito, ao mesmo tempo sentindo a têxtura de pêlo ( se for o caso). Prosseguir com as mãos para a região lombar, sentindo a firmeza da linha superior, sem ficar forçando para cima e para baixo, como se estivesse apertando uma mola. Finalizar a análise, examinando a formação da garupa, inserção de cauda e membros posteriores. Saber tocar um cão, demonstra conhecimento, competência e segurança, tendo como resposta a isso, o respeito e confiança do expositor, seja ele profissional ou não. É muito importante que o juíz use sempre o mesmo procedimento com todos os cães, por menor importância que isso possa parecer ter, é fundamental para que o handler, profissional ou não, saiba como se posicionar no momento do exame individual e, assim, ajudar o juíz no seu trabalho. Normalmente os handlers profissionais sabem como agir , mas um novato ou iniciante, provavelmente irá copiar o que está sendo feito em pista. Esse mesmo exame individual, quando feito na mesa com cães de pequeno porte, tais como Lhasa Apso, Pequinês e outros, deve seguir o mesmo critério e a mesma ordem. Sendo válido também para os cães de pêlo longo, pêlo duro e etc., onde o árbitro deve tocar toda a estrutura do cão , sem desmanchar seu "groomming", pois muitas vezes sua estrutura não é compatível com o padrão da raça, podendo ter desvios tais como "east-west" , antepeito fechado, jarretes incorretos, etc., por isso a necessidade de um exame completo, porém com classe. Lembre-se, o "groomming" faz parte da boa apresentação do cão numa Exposição de Beleza e deve ser respeitado. Como todos nós sabemos , o ítem movimentação é de suma importância num julgamento, sendo muitas vezes, fator de desenpate entre dois cães excelentes. O juíz tem que tomar muito cuidado ao julgar movimentação, pois algumas barbaridades devem ser evitadas a todo custo, tais como, pedir a dois ou, às vezes, 3 cães ( ! ) para fazerem "ida e volta " ao mesmo tempo ! Nesse momento a credibilidade do árbitro pode ser colocada em dúvida, pois se, julgar um cão em movimento indo e vindo já requer muita atenção, imagine 2 ou 3 simultaneamente. Diz a boa técnica, que o juíz deve pedir ao handler que faça o "ida e volta" e pare com o cão sem colocar a mão, para que este possa ser examinado ao natural , sem o toque do handler. Na movimentação em círculo, é mister a postura do árbitro, procurando se posicionar adequadamente de acordo com o formato e tamanho da pista, seja no meio ou num dos cantos desta, de onde possa ter uma melhor visão do cão em movimento. Volto a falar de sua postura, o árbitro não deve girar o corpo tentando acompanhar , cada vez que um cão se movimenta, basta girar o pescoço até o seu limite e voltar a acompanhar o cão quando este reaparece no seu campo visual. Assim deve ser quando 1 cão se movimenta ou uma classe inteira, bem como nas finais onde estão vários cães juntos. Outro detalhe que deve ser evitado, pedir ao handler para movimentar o cão em círculo, a passo, pois nessa andadura prováveis virtudes e defeitos nunca serão analisados. A velocidade correta , inclusive comprovada cientificamente, é o trote. A única raça que deve ser movimentada a passo é o Fila Brasileiro no "ida e volta" , posteriormente deve ser pedida a movimentação em trote, como todas as outras raças. É um grave erro julgar o Fila Brasileiro somente a passo, na movimentação de "ida e volta" . Vamos agora falar sobre os Grupos e Finais de Exposição, pois estes são os momentos mais esperados. Neste momento as pistas devem ser abertas, formando uma grande pista, aonde árbitro deverá fazer o julgamento. É preciso que o árbitro tenha comando de pista, ou seja, saiba posicionar os cães para que na hora da movimentação um exemplar não "atropele" outro. O julgamento, à partir desse momento, passa a ser muito pessoal, mas a conduta deve ser a mesma com todos os cães, o árbitro deve dar uma olhada rápida em cada exemplar, alinhados por ordem de tamanho, dedicando à todos a mesma atenção. Feito isso, o Juíz pedirá ao 1º da fila que faça o stay do exemplar , perpendicularmente aos outros exemplares, para ser examinado detalhadamente, então é pedido a cada cão que faça "ida e volta" , saíndo diretamente da frente do Juíz, que estará parado paralelamente aos cães. É mister que o cão seja conduzido até o árbitro e, não o contrário. Cada vez que um cão sai em movimento, o seguinte já deve se posicionar em stay. Muitas vezes, é inevitável se fazer uso do corte quando se tem grupos muito grandes, para que fiquem em pista somente os exemplares escolhidos pelo Juíz para a disputa . Neste caso o Juíz deve agir com classe e respeito, agradecendo a todos os outros exemplares e pedindo que se retirem, sob o aplauso do público. Os vencedores devem ser apontados em movimentação e com muita segurança, para que não haja dúvidas. Importante jamais esquecer os exemplares de reserva, que deverão estar prontos para entrada em pista; porém jamais ficar esperando infinitamente que o cão seja apresentado. O momento do BEST IN SHOW deve ser um momento de glória para o Expositor e para o Juíz. Portanto, imparcialidade e credibilidade são fundamentais ao Juíz, pois este determinará se o momento será de glória ou de vergonha. As finais ficam muito mais bonitas, quando cada ganhador de Grupo entra em pista sozinho , dando uma volta em círculo e parando naturalmente por alguns segundos, sob o olhar do Juíz. Então todos os exemplares são alinhados, podendo o Juíz apontar o Best In Show em movimento ou não. Particularmente, não sou favorável à entrada de reservas na final, muito menos premiações de 5º, 6º, etc. No máximo, premiar até o 4º lugar. A Postura do Árbitro Um árbitro não deve deixar transparecer, através de caras e bocas, suas preferências. Eu aprendi isso com um juíz americano que dizia que, o árbitro deve ter expressão de um jogador de pôquer. Lembre-se, são inúmeros pares de olhos observando as atitudes do juíz, portanto, este deve ser sério e gentil ao mesmo tempo com os expositores, que pagaram para ter seus cães bem julgados. A função do árbitro não é agradar à todos, premiando com CJC's ou CAC's em exagêro, mas sim, escolher os exemplares que, naquele momento, ele achar que são os melhores. Descontentamento sempre haverá. Todos os cães têm defeitos e qualidades, em maior ou menor grau. As qualidades só serão vistas por aqueles árbitros que realmente entendem do que fazem e que transmitem respeito aos expositores. Em contra-partida, aqueles que julgam por defeitos, o que é mais fácil, têm um longo caminho a trilhar no aprendizado desse esporte maravilhoso, que é a Exposição de Beleza de Cães de Raça. A Foto com os Vencedores Este é o 2º momento de glória para o Expositor, o registro de sua vitória. O árbitro não pode esquecer que, normalmente, as fotos tiradas com os vencedores irão para propagandas em revistas e jornais especializados, aqui e no exterior, muitas vezes. Por isso a importância do árbitro estar bem na foto. A ética pede que o juíz esteja de paletó e gravata, bem colocado ao lado do cão e do handler, segurando o prêmio que deve estar bem à mostra. Bonito é quando o juíz sai olhando para o exemplar premiado e não para o fotógrafo !. Roberto Camerino da Guia Juíz All Rounder FCI Ex-membro do Conselho de Árbitros por 2 mandatos Membro de Bancas Examinadoras, por diversas vêzes



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