Bulldog Inglês
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Entrevista com Bibbo Camargo.

Entrevista com Bibbo Camargo. Entrevista com Bibbo Camargo.
Entrevista com o fotógrafo de cães que já foi criador de Bulldog Inglês e tem participação ativa na história da raça no Brasil.

1 - Que idade você tem e seu nome é Bibbo Camargo mesmo?

Eu tenho 43 anos, e meu nome é Luiz André Claudino Camargo. Quando eu era bem pequeno era fã de um desenho animado chamado Bibbo PAI, Bobby FILHO.
Eram dois cães sem raça definida e ainda lembro que eram bem divertidos. Na internet pode-se pesquisar sobre eles e ver alguns dos desenhos animados ainda.
Acabei ficando com o apelido e resolvi usá-lo como nome artístico.

2 - Quando ocorreu seu primeiro contato com os Bulldogs?

Aos 5 anos eu ganhei de meu pai um Bulldog de açougueiro. Sim, o nome na época era esse para cães de cara bem chata, criados nos matadouros e fazendas de gado.
Eram do tamanho de boxers, mas tinham a linha do dorso reta e eram extremamente fortes. Eram muito semelhantes ao Bulldog Americano.
Me apaixonei ali por cães molossos. Por volta dos 10 anos peguei uma revista de modas da minha mãe e tinha uma propaganda onde aparecia um cão que me deixou simplesmente extasiado.
Era um Bulldog Inglês, pequeno forte e maravilhoso. Lembro que nem dormia à noite, pensando na foto.

3 - Quando teve seu primeiro Bulldog?

Quando completei 16 anos eu vi o primeiro ao vivo, pois na década de 80 eram raros no Brasil.
Foi no Canil Palm Springs, aqui em Curitiba, onde fui para ver Mastins Napolitanos e acabei vendo um filhote de Bulldog correndo no corredor do canil. Ali eu vi como eles eram maravilhosos mesmo. Mas tinha um problema, eram raros no Brasil e, portanto, muito caros. Acabei não comprando um Bulldog na época, mas comprei tudo que era literatura sobre eles. A maioria importada é claro. Aguardei até ter o valor necessário para comprar um e quando ele chegou foi uma festa. O nome dele era Buster e tinha linhagem inglesa (canil OCOBO), filho de um cão que acabara de chegar da Inglaterra (OCOBO Jonka).
Buster acabou sendo o melhor Bulldog do Paraná e um dos melhores do Brasil no ranking de 2000. Ele está até hoje nas propagandas de seguros residenciais da Caixa Econômica Federal. Buster foi um ótimo companheiro e morreu aos 12 anos, deixando mais de 100 filhos.

4 - Quais foram os primeiros registros da raça no Brasil?

Na década de 60, um senhor chamado Solon de Camargo trouxe ao Rio de Janeiro um casal, mas não existem registros de que tenham gerado prole.
Na década de 70, a Sra. Ophelia Velozo, da cidade de Curitiba, trouxe Bulldogs da Inglaterra, do canil Merriveen. Estes cães deram início à criação em nosso país.
O canil da Sra. Ophelia chama-se Outdoors Brazil. Posteriormente, exemplares deste canil foram comprados pela Sra. Líbia Marinoni, que fundou o canil Palm Springs, também em Curitiba.
De lá pra cá o que mudou na raça?
As mudanças na realidade ocorreram depois do ano 2000, quando as importações foram em grande escala, sendo que em 2001 mais de 30 cães foram importados dos USA, Espanha, África do Sul e Inglaterra. A qualidade dos Bulldogs melhorou muito depois de 2000, pois nas décadas de 70, 80 e 90 não tivemos muitas importações de Bulldogs de qualidade, salvo alguns exemplares. Mas geralmente eram machos e eram cruzados com fêmeas de baixa qualidade. De 2000 em diante, fêmeas de ótima qualidade foram importadas e deram o salto na qualidade da criação nacional.

5 - Como você vê o atual plantel nacional?

A cada exposição que vou fico mais satisfeito com o que vejo. Temos hoje Bulldogs de criação nacional com excelente qualidade.

6 - Fora do Brasil quais são seus Bulldogs favoritos?

Olha, você ver um Bulldog pessoalmente é a única forma de avaliar as qualidades dele e dar um parecer. Muitos criadores brincam comigo e falam que eu vivo do passado, mas o Bulldog que mais me impressionou até hoje foi OCOBO TULLY (já faleceu), que ganhou o Bulldog Of The Year na Inglaterra em 1994, 1996 e 1997. Ele era um Bulldog completo na minha opinião. Tive a satisfação de ter um neto dele em meu canil.

7 - Qual sua opinião sobre a qualificação dos árbitros nacionais que julgam a raça?

Está melhorando, mas já foi bem complicado colocar Bulldogs nas exposições. Acredito que, com o crescimento da participação dos Bulldogs em exposições, os árbitros estão se obrigando a conhecer mais a raça. Alguns árbitros vêm dominando bem o padrão da raça, mas ainda temos algum chão para chegarmos aos julgamentos feitos na Europa.

8 - O que você acha que define um Bulldog Inglês?

Força, muita força, mas com harmonia, ou seja, ele tem que ser bem distribuído no tocante ao volume dos itens que se pede no padrão.

9 - Muitas pessoas acham que Bulldog é tudo igual, inglês, francês, americano. Fale porque as raças são totalmente diferentes.

Olha, para quem está a tanto tempo envolvido com a raça as diferenças são marcantes. O Bulldog Inglês, falando de uma forma para que todos entendam, é o que tem a cara mais chata e a maior ruga acima do nariz, além de ter orelhas pequenas e voltadas para trás. Também é o mais largo no peito entre todos, levando-se em conta a proporção entre eles. O Francês é denunciado pelas orelhas que são ao alto e é de estatura e peso bem menor. O Bulldog Americano é bem mais pesado e mais alto, mas apesar disso se assemelha muito a um inglês fora de padrão, só que mais pesado e mais alto.

10 - Você conhece muitos canis, o que você considera fundamental neles?

Conheço muitos canis. Olha, o fundamental na parte de manejo é ter condições financeiras para criar Bulldogs com muita higiene e com boa alimentação. Depois é fundamental saber o que o criador quer da sua criação. Se ele cria bem, então deve ter estudado e nunca feito cruza aleatórias, ou seja, cruzas sem estudar os pedigrees e sem se importar com a qualidade dos envolvidos na cruza. Um bom criador sempre tem tempo para falar sobre sua criação com um futuro pretendente a comprador de um filhote de seu canil.

11 - Você participou ativamente do desenvolvimento da raça em nosso país. Nos conte algo sobre isso.

Acho que minha participação foi mais como organizador de eventos da raça (exposições especializadas) e como incentivador das importações em grande número que ocorreram no início deste século.
Em 2000 a AGROTEC (empresa que comercializa vídeos técnicos de criação de animais e etc.) foi ao meu canil (Kippax Fearnought Kennel) e me propôs fazer um documentário sobre a raça. Topei e o vídeo na época foi um grande sucesso. Ainda hoje recebo ligações de pessoas de todos os estados, relatando que compraram o vídeo e querendo falar sobre Bulldogs. Isso foi ótimo.
Em 2001 organizei a primeira exposição nacional de Bulldogs em Curitiba com o apoio do Kennel Club da Grande Curitiba. Tivemos mais de 30 cães do Brasil todo e em 2002 fiz a segunda nacional com mais de 40 Bulldogs em pista. Em 2001, editei uma revista que era dirigida aos criadores da raça. Ela era trimestral e teve boa aceitação. Acabei parando com ela quando me mudei para os USA. Quando retornei ao Brasil recebi um convite da ABRABULL (única entidade oficial da raça reconhecida por órgãos internacionais de cinofilia) para ser editor da uma revista sobre a raça. Demos o nome de BULLDOG SHOW e ela teve 7 edições. Parou por um tempo e está retornando agora em setembro, tendo como editor um amigo meu, criador da raça. Além disso, aproveitando a grande idéia do meu amigo Pedrão, da Bulldogada de São Paulo, fundei a Bulldogada Curitibana, que há dois anos tem encontros trimestrais e um site bem alegre e interessante www.bulldogadacuritibana.com

12 - Qual a sua dica para quem está querendo comprar um Bulldog Inglês?

Procure um canil e exija ver o plantel. Nunca compre sem ver os pais da ninhada. E, se puder, pegue referências com quem já tenha um cão adulto deste canil. Pergunte sobre a saúde dele e se o canil deu todo suporte após a venda. Bulldog é um cão caro e, portanto, deve estar dentro do padrão e com boa saúde. Para isso estude um pouco sobre como deve ser um bom Bulldog.

13 - Quando iniciou seu trabalho com fotos de Bulldogs?

Eu fui empresário antes de me dedicar ao design gráfico e à fotografia. Eu tinha academia de ginástica e por 20 anos trabalhei neste ramo, apesar de ter formação como designer gráfico.
No início desta década eu acabei vendendo a academia e fui morar nos USA com minha família. Trabalhei como designer gráfico no departamento de marketing de uma empresa e acabei desenvolvendo algumas logomarcas para canis e clínicas veterinárias de amigos aqui do Brasil. Notei que dia a dia chegavam mais encomendas de logos para canis, pois os criadores me indicavam. Em 2003 minha esposa teve uma gravidez de risco e tivemos que retornar ao Brasil. Chegando aqui, os trabalhos se expandiram para criação de layouts para revista de cães. Ali eu senti a necessidade de ter boas fotos, pois as que me enviavam eram muito amadoras. Como eu já tinha vários cursos de fotografia e tinha ganhado até prêmios na área, resolvi que a fotografia tinha que ser parte do meu trabalho também. Na década de 90 eu já havia feito alguns trabalhos de fotografia com Bulldogs, que deram bons resultados em revistas e sempre foram elogiados. Acho que, como sempre amei a raça, procurava ver qual o melhor ângulo deles e como eles deveriam ser apresentados nas fotos. Hoje sei como fotografar a maioria dos cães, pois estudei como eles devem ser apresentados. Isso tem muito a ver com a história da raça e até a finalidade, ou seja, para que a raça foi desenvolvida inicialmente.

14 - É muito difícil fotografar cães profissionalmente?

Depende muito do cão, mas têm outros fatores, como horário das fotos. Por exemplo: nunca espere conseguir fotos magníficas de Bulldogs às 12:00 ou com sol forte.
Um conjunto de fatores resultam em uma ótima foto: horário (ideal seria das 5:30 às 7:00 no verão e das 7:00 às 8:30 no inverno), piso e local de fundo, equipamento profissional e conhecimento sobre raça a ser fotografada. Pela manhã os cães estão sempre mais dispostos e atentos. Com o tempo de experiência e respeitando os fatores necessários os objetivos tornam-se satisfatórios.

15 - Como fotógrafo, nos conte como é fotografar Bulldogs?

Olha, se eu definir, os meus clientes vão querer me cobrar para eu fazer as fotos (risos).

16 - Mas fale pra nós qual o segredo para se fotografar um Bulldog?

Intimidade com a raça e amor.

17 - Qual foi o seu maior desafio ao fotografar um Bulldog?

Acho que nunca tive um grande problema ao fotografá-los, mas eu tento fazer as fotos sempre em locais com fundos que valorizem a imagem dele. Fiz uma foto na beira do Rio Guaíba, em Porto Alegre, pela qual tenho o maior carinho, pois acordamos muito cedo e o Bulldog em questão era um importado maravilhoso. Sendo assim, o meu desafio era transferir a qualidade dele para a foto. Acho que consegui. A outra imagem que acredito que tenha sido um desafio foi a foto de um Bulldog correndo. Nunca tinha visto a foto artística de um Bulldog correndo e resolvi que eu faria uma. Achei um Bulldog de ótima qualidade e com ótima saúde para pegá-lo na corrida com as patas no ar. Consegui!!! Ambas as fotos estão no meu site.

18 - Quais foram e quais são suas atividades envolvendo a raça?

Como designer eu monto layout para revistas a pedido de criadores de todo o Brasil. Também crio logomarcas para canis de Bulldogs. São 60 logos para canis de Bulldogs entre as mais 150 logos que tenho em meu portfolio. Além do design, das fotos e da direção da Bulldogada Curitibana, sou conselheiro da ABRABULL na região Sul.

19 - Quantas logos e quantos anúncios publicitários você já fez tendo o Bulldog como artista principal?

Com uma que terminei hoje são 60 logos envolvendo Bulldogs. Layout, realmente perdi a conta, mas devo ter feito bem mais de 100 layouts para canis de Bulldogs.

20 - Você tem Bulldog em casa?

Adoraria tê-los novamente em casa. Acabei de me mudar para uma casa e em breve um deles fará parte da família.

21 - E pra finalizar, por que ter um bulldog?

Olha, aí está algo que eu nunca pensei ao certo “o porquê”. Pra mim o Bulldog nunca fez parte da lógica e sim da emoção. Sendo assim, nunca procurei um “porquê” nele.
Acho que ele, por ser tão diferente da proposta de um cão que a natureza nos oferece, faz com algumas pessoas o admirem tanto.

Abraços a todos os amantes desta raça fantástica.
Bibbo Camargo
www.bcamargo.com.br
Roteiro elaborado por: Bibbo, Bullblog e Gilberto Medeiros.


Fonte: www.bullblogingles.com

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