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As decisões mais freqüentes dos árbitros na interpretação do padrão

Segundo o árbitro do The Kennel Club, Bob Brampton: “Ao longo da minha carreira de árbitro, tenho sido, inumeráveis vezes, convidado à julgar também aos bulldogs. Tenho me negado de forma sistemática a julgá-los, porque é uma raça que apesar de ter um padrão normal e não muito complicado, possui tanta problemática nos critérios do detalhe que deve ser julgada somente por um criador ou especialista da mesma”.

O padrão do bulldog contém abertamente algumas afirmações que se não são submetidas a uma interpretação mais aprofundada, não podem ser entendidas, ou pior, que se seguidas à risca conduzem a critérios que quando aplicados levam a juízos errôneos. A mais conhecida como polêmica, é sem dúvida, a que descreve a relação da circunferência do crânio medido por diante das orelhas como correspondente à altura do cachorro em cruz.

Esta formulação tem causado muita polêmica. Em conseqüência, o mundo de língua alemã, liderado pela campanha do (criador) VD.H em favor de um cachorro sadio e funcional, se tem afastado consideravelmente das interpretações britânicas do padrão, baseando-se especificamente neste ponto. Porque, se medido corretamente, se poderia constatar que a grande maioria dos bulldogs que existem na atualidade tem cabeças demasiado grandes que sobressaem do diâmetro de seu crânio bastante acima da altura da cruz. Portanto só alguns poucos exemplares raquíticos, que nas exposições nunca ultrapassariam uma valorização de “bom”, conseguiriam cumprir este requisito do padrão.

Para resolver esta problemática é necessário lembrar que o melhor e sempre procurar nos textos de certa idade, que tem se formado historicamente ao longo do tempo, a solução mais simples – a mais compreensível.

Pouco provável é aquela teoria do complo contra o pobre padrão. Sinceramente acredito que a chave do enigma é simplesmente algo tão lógico como duas maneiras distintas de medir. Existe algo mais fácil e habitual que medir a circunferência do crânio com uma trena flexível e à altura da cruz com um meio rígido como um metro de madeira. Matematicamente seria, sem dúvida, um procedimento incorreto, porém, na prática da qual nasceram os padrões caninos com certeza tem sido de uso diário, e medindo assim cumprem milagrosamente os requisitos todos os campeões atuais. O problema tão discutido pode-se considerar desta maneira resolvido, porém, durante toda nossa discussão sobre o ponto em questão não se observou em nossas exposições que a polêmica tenha incomodado a consciência de nenhum de nossos árbitros.

Na descrição da boca exige-se a norma de que “ a mandíbula inferior deve estar imediata e paralela debaixo da mandíbula superior” . Eu também penso que talvez os ingleses às vezes expressam de maneira um pouco complicada aquilo que poderia ser dito de forma mais fácil. Porém me pergunto desconcertado, quando vejo os árbitros investigando a dentadura com evidente seriedade, que procuram aí, se o padrão não exige uma dentição completa, o que é sempre problemático num cão prognato. Porém, seria de grande importância observar que a mandíbula inferior não estivesse torta, defeito altamente hereditário, e que é exatamente o que exige a norma acima citada. Não adianta que o exemplar tenha uma dentadura completa se ele tiver a mandíbula torta. Eu mesmo, muitas vezes, tenho me perguntado que faz um exemplar com a mandíbula torta no pódio de vencedor. Penso que o que o padrão não explica com suficiente clareza é que a mandíbula inferior deve ser quanto mais larga melhor, tendo como único limite a harmonia da proporção com os demais traços. Além disso, desde o centro da mandíbula se deve formar uma linha reta imaginária retrocedendo em direção à testa, ou seja, desta linha não deve sobressair nada, devendo estar completamente inclinada para cima.

“Os dentes..., não podem ver-se, quando a boca está fechada.” Isto significa que o ideal seria que a mandíbula inferior feche juntando-se o lábio superior com o inferior na parte frontal. Porém, não cabe uma desqualificação quando a mandíbula inferior sobressai um pouco à superior, deixando à vista, desta forma, parte do interior da boca, enquanto não se vejam os dentes e não se destrua a harmonia da cabeça em geral. Tenho visto desqualificações injustas por prognatismos exageradas, mesmo quando estavam dentro da margem tolerada.

“... Com barriga recolhida, não suspensa.” Parece uma disposição tão óbvia que não mereceria nenhum comentário. Porém, muitas vezes vejo fazendo parte do pódio cães que poderiam muito bem varrer o ringue com a sua barriga.



Fonte: Abrabull

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